EDITORIAL DA SEMANA
programa ecomaranhão – 03/10/2009
A revista Nature, a mais prestigiada publicação científica mundial, publicou na sua edição de setembro um manifesto assinado por 29 cientistas mundiais. O grupo avisa que as atividades diárias dos 6 bilhões de humanos resultam por si em uma força geofísica capaz de mudar completamente a Terra, equivalente às grandes forças da natureza. Parece um assunto meio batido, mas, no intuito de anunciar cientificamente o Dia do Juízo Final, o grupo descreve limites biogeofísicos que, se ultrapassados, gerariam enormes catástrofes.
Para os cientistas, esses limites são bem definidos e podem ser quantificados em cada área de interferência humana: poluição química, mudança climática, acidificação dos oceanos, perda do escudo de ozônio na atmosfera, ciclo do nitrogênio, ciclo do fósforo, uso de água doce, mudança do solo, biodiversidade e sobrecarga de aerossóis na atmosfera.
Em três deles os limites de sustentabilidade já foram ultrapassados. Os humanos mudaram o clima, aumentaram demais os resíduos orgânicos de nitrogênio e ameaçaram ou extinguiram tantas espécies que a natureza não consegue mais recuperar essas alterações sem a interferência do gênero humano.
Outros seis limites de sustentabilidade poderão ser ultrapassados nas próximas décadas se nada for feito, mas a pergunta fundamental é: quanto a Terra consegue suportar antes que a vida humana se torne inviável em nosso planeta? Um dos coordenadores do estudo, Diana Liverman, da Universidade do Arizona e também da Universidade de Oxford, explica que o principal intuito desse manifesto é estimular estudos que identifiquem até quanto nosso planeta pode aguentar nossas trapalhadas e como interromper esse processo antes que seja tarde demais.
A cientista explica que hoje podemos quantificar algumas dessas agressões e o limite que a Terra pode suportar, mas existe sempre uma interação entre os fatores que potencializam as ações agressoras. Como, por exemplo, a extinção de espécies acaba por interferir na reserva de carbono, uso do solo, da água e assim por diante. Alguns números a comunidade científica conhece. Os limites de extinção de espécies que a natureza poderia compensar anualmente é de 10 espécies por 1 milhão de existentes. Antes da Revolução Industrial, o número era de 0,1 espécie extinta. Agora atinge a marca anual de 100 espécies extintas por 1 milhão existente.
O Brasil terá de assumir compromissos de redução de suas emissões globais de carbono. Há caminhos que passam por uma redução drástica do coeficiente de desmatamento da Amazônia, por meio de mecanismos de REDD (Redução Evitada do Desmatamento e da Degradação), e há grandes possibilidades para a construção desta nova economia da biodiversidade através de um eficiente e aplicado Zoneamento Econômico-Ecológico do País. A COP-15 acontece no fim deste ano na Dinamarca.


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Wednesday, October 7th, 2009 at 2:14 am under
