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02 Oct

EDITORIAL DA SEMANA

programa ecomaranhão – 19/09/09

Energia é fator de desenvolvimento. Portanto, não dá para viver sem ela! Todavia, se levarmos em conta o quantitativo de lixo gerado no Maranhão daríamos para produzir, por região, energia necessária para abastecer todas as casas de baixa renda(+- 2.5 milhões de habitantes).
São Luís está recebendo uma Termelétrica do grupo EPX, cuja planta vai queimar carvão mineral que é de longe um dos maiores responsáveis pelos GEE. Por outro lado, quem licenciou essa planta(SEMA), não observou que a cidade produz diariamente 1.4 toneladas/lixo/dia, ou seja, se a Prefeitura Municipal de São Luís tivesse uma Política de Desenvolvimento Sustentável focada na energia renovável(lixo) em vez de energia fóssil(carvão) exigiria da EPX que fosse utilizada a energia do lixo ou biomassa do campo(carvão do Babaçu) como fator de qualidade ambiental, ou seja, 3 toneladas/lixo substitui 1 tonelada/carvão mineral, e mais: o CO2 do lixo é 60% menor que enxofre do carvão mineral, e o lixo queimado é reduzido em 90%, restando 10% de cinza e escória que poderia ser internalizado no RCD(resíduos da construção e demolição). O carvão do babaçu é 7x mais energético que qualquer outra biomassa.
A população do Maranhão está na ordem de +- 6 milhões – o que implica em 4.8 milhões de toneladas/lixo/dia, passando esses números para uma usina de queima de lixo teríamos energia renovável para abastecer todas as grandes cidades do Estado. E mais: como o negócio do Carbono está inserido nas bolsas de valores do mundo, ainda restaria uma boa compensação pelos serviços ambientais prestados por essas prefeituras, ou seja, estamos falando de administradores com visão de futuro, o que ainda é raro por aqui.
A biomassa é uma energia verde a 100% ideal. O gás carbônico que resulta da combustão da biomassa não é considerado um elemento nocivo para o aumento dos GEE. Se o Governo do Maranhão tivesse planejamento focado no aproveitamento da biomassa, muitos municípios seriam autosuficientes na geração dos arranjos produtivos locais. Hoje, existem empresas estrangeiras comprando todo o coco babaçu para exportação e, também, queimando e vendendo o coco para diversos fornos de guseiras, oleaginosas e beneficiadoras do mesocarpo do coco, e bem poucas tratam do aproveitamento da amêndoa(a 3% de óleo, veja quantas fábricas existem hoje se comparadas à década de 50-60).
Observando esses dados, buscamos uma informação mais completa nos órgãos ambientais oficiais, mas não a encontramos, ou seja, qualquer manipulação de recursos naturais deve preceder um estudo prévio de impacto ambiental e o seu respectivo relatório. Isso deveria ser óbvio, mas, aqui, tudo corre sem precedentes.
Se a energia convencional não fosse tão suja à base do óleo cancerígeno que ainda compõem os transformadores das empresas do tipo CEMAR e ELETRONORTE, em nada deveríamos nos contentar com o aproveitamento 100% do lixo nosso de cada dia. E por falar em lixo, a COELCE do Ceará está há anos trocando lixo por energia social dos moradores mais carentes de Fortaleza. E a CEMAR está pensando em fazer o mesmo aqui.
Em novembro próximo vai acontecer um workshop sobre “energia renovável à base do lixo”, uma iniciativa da SINC/GE. Por outro lado, há 4 anos a Prefeitura Municipal de São Luís tenta enquadrar o aterro-controlado da Ribeira no MDL/Kyoto. Recentemente, o Ibama notificou a Prefeitura e o SINDUSCON para que a primeira passe a cumprir a resolução Conama 307/05 que trata do RCD, e o segundo para que dê destino adequado ao produto gerado no chão das Empresas de Construção Civil. A ordem é RECICLAR.
A energia proveniente do lixo deixa de fora o gás CH4 que é 23 vezes mais poluente do que o CO2 dos carros e queimadas com seqüelas perigosas ao ar das cidades. O CH4 do Aterro da Ribeira é queimado diariamente. Energia jogada fora!!!

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