EDITORIAL DA SEMANA
Diferente da idéia de crescimento – que sugere principalmente aumento em quantidade – a de desenvolvimento implica a mudança de qualidade e, também, aumento dos graus de complexidade, integração e coordenação de um sistema. Crescimento exige material e energia. Desenvolvimento produz e se alimenta de interações, sistemas de informações, modalidades inovadoras, eficiência de processos produtivos, etc.
Não é por outra razão que podemos falar em crescimento populacional, mas dizemos desenvolvimento intelectual, cultural, político, social.
A noção de sustentabilidade está associada às de estabilidade, de permanência no tempo, de durabilidade, da precaução e educação sistêmica.
A palavra sustentabilidade nasceu na década de 70, de cunho ecológico que focalizava a interdependência entre uma população e os recursos de seu ambiente. Já na década de 80 se estendeu sua abrangência para abarcar as relações entre desenvolvimento e meio ambiente, cuja apoteose marcou a Eco/92, no RJ. Portanto, o adjetivo sustentável não implica uma única via de cunho ambiental, e sim de diversos substantivos para engrandecimento das atividades e espécies
O que mudou desde então? Houve avanços significativos na equação do progresso x desenvolvimento x sustentabilidade x consumismo. O primeiro impacto veio com a instalação da AG. 21 NACIONAL que culminou com o Plano Plurianual(PPA) após quatro anos de muita conversa e participação social. Seguidamente, a maioria dos Estados passaram a construir suas agendas 21. O Maranhão instalou a sua em 2000( governo Roseana), desde então, paga o preço de sua teimosia e iniqüidade sócio-ambiental por não tê-la concluído.
O conceito de desenvolvimento sustentável é a pedra de toque do relatório apresentado à cúpula da ONU, sob o nome de Nosso Futuro Comum. Julgava-se poder medir o desenvolvimento de uma sociedade pelo nível da produção e do consumo de bens e serviços, por meio de indicadores como o Produto Interno Bruto Nacional. Foi com base no PIB per capita que os países foram classificados em desenvolvidos ou não, pela ONU. Derrubar floresta aumenta o PIB, mas emudece nós e a natureza.
Quanto mais degradados são os recursos naturais, maior o crescimento do PIB, contrariando princípios básicos da contabilidade, ao considerar o produto da depredação como renda corrente não tirou os nativos da Pré-Amazônia e do Cerrado da miséria. Devastando florestas, exaurindo solos e riquezas minerais não renováveis, alimentou o boom de fazendas de soja do Cerradão, gerando fortunas incalculáveis e miséria de milhões, simultaneamente”. E o Maranhão continua na berlinda do desenvolvimento.
Recentemente, por reconhecimento da insuficiência dos parâmetros econômicos para avaliar o desenvolvimento dos países, a ONU está calculando o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH – nas três dimensões: Saúde, Educação e Renda. Para estimar o aspecto saúde, é utilizada a esperança de vida ao nascer. Para a educação, a taxa de alfabetização de adultos, assim como a taxa de matrícula combinada nos três níveis de ensino. E, por fim, busca-se estimar a renda das pessoas em seu próprio país, usando para tal o PIB per capita(PP), ajustado para diferenças no custo de vida de cada Nação. Assim posto, não vamos sair nunca do estado de iniqüidade sócio-ambiental, cuja exploração dos recursos naturais é a base do PIB. Esse modelo está condenado!!!
programa ecomaranhão – 29/08/09


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Sunday, September 6th, 2009 at 7:24 pm under
