EDITORIAL DA SEMANA
O extrativismo pesqueiro sempre foi considerado o filho pobre da produção artesanal brasileira. Sempre foi dito que a pesca artesanal é símbolo isolado do apartait social a que são renegados todos os sistemas de fomento e cooperação para erradicar a combalida falta de políticas públicas para a o setor.
Atualmente, assistimos a mais uma derrocada da pretensiosa busca de querer dotar o sistema da pesca artesanal de um arremedo de sustentabilidade com os chamados Centros Integrados de Pesca e Aqüicultura, onde o que é exposto configura no mais redundante apartait social que é instalar Fábrica de Gelo em local errado, ou seja, pescadores artesanais de Barreirinhas já estão convidados a custear uma boa doze de dinheiro para comprar gelo na sede do município distante 2 a 3 horas do litoral onde mora e convive diariamente com a missão: ‘pescar para não morrer de fome’ !
Portanto, quando a Secretaria Especial de Pesca e Aqüicultura e a Prefeitura tentam empurrar goela abaixo uma estrutura pesada e desconsiderada pela maioria dos pescadores da região, observa-se na outra ponta um sentimento de perda da identidade artesanal quando se sabe que a região convive com o drama e o pesadelo dos barcos ARRASTÕES que operam sistematicamente ao longo da costa maranhense, em particular, desde Atins(Barreirinhas), Praia da Baleia(Sto. Amaro) e até a Ilha de Santana(Humberto de Campos)que, segundo o ex-presidente da Colônia de Pescadores de Barreirinhas, Sr.Pedro Pereira(67), se nada for feito vamos contabilizar mais uma fábrica fechada em local errado, sem peixe, citando como exemplo a que se pretende instalar na Boa Vista – centro urbano de Barreirinhas, longe do pescador, o que a torna inviável e cara! Porque nunca somos ouvidos para isso, exclama.
Nesse cenário de tanta iniqüidade social, cooptação negativa do local, não participação social na escolha do local, não observância na capacidade carga do turismo e lazer local, não reparação e análise de custo benefício da ação imposta, deposição perigosa de rejeitos e resíduos poluentes à margem do rio preguiças, e como não é praxe do Governo Federal aceitar essas inconformidades de rejeição do Centro (Dês)Integrado das Pesca e Aquicultura cujo modelo defendido pelo Ministro da Pesca que, em vez de facilitar a vida do pescador, alimenta mais ainda a vida do atravessador que opera com duas redes: a de capturar e gelar peixes mortos pelos arrastões e cobrar 100% a mais daquilo que poderia ser mais barato se a fábrica estivesse no local do pescador artesanal.
Vejam só, estamos retratando uma ação desastrosa dentro da APA da Foz do Rio Preguiças e Pequenos Lençóis e Região Lagunar da área de influência direta do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, cujo retrato mostra um prédio do Ibama fechado em plena APA, sediado no ATINS.
A defesa do pescador artesanal está na manipulação do apetrecho diário e do manejo que é praticado para assegurar uma melhoria de bem-estar. Portanto, como não temos pesca industrial para assegurar uma demanda por gelo, então, como alimentar o ego dos ‘excelentes administradores’ que além de não pescarem não sabem que a dinâmica da água de um rio alimenta a fauna acompanhante que os arrastões matam na medida de 1kg de camarão capturado sacrifica 10kg da fauna sacrificada para gerações futuras se algum dia não passarem a enxugar gelo, em vez de pescar peixes, crustáceos e moluscos. Repensar o local é uma atitude responsavelmente ética!!!
programa ecomaranhão – 15/08/09


Posted
on
Sunday, August 16th, 2009 at 1:48 pm under
